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澳门好多学生只会普通话不会粤语,粤语传承做得非常不到位

蓝粤网   2026-09-17   0   0

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澳门不少学生“会听普通话、会写规范中文,却未必讲得顺粤语”,已经不是个别家长的抱怨,而是语言教育里值得正视的警号。推广国家通用语言当然重要,但若把“讲好普通话”做成“少讲甚至不讲粤语”,本土语言代际传承就会出现断层。

从社会面看,粤语在澳门仍是最常用的口头语之一。2021年人口普查显示,约八成居民能流利讲粤语,但比2011年下降2.3个百分点;同时能讲普通话的比例大幅上升。 学校层面更复杂:教青局明确未强制学校用普通话教中文,学校可按师资与条件自选教学语文,课程也要求促进学生流利、得体使用粤语并正确使用繁体字。 但现实中,部分学校语文科改用普通话,部分科目因聘请内地教师、师资短缺而转用普通话;学术综述指出,中文媒介学生中多数仍以粤语授课,但政府语言政策要求“逐步创造用普通话教中文的条件”,中学阶段普通话能力明显提升,小一至小阶段幅度相对较小。

问题不在“学普通话”,而在“只学普通话、不用粤语”。几股力量叠加,才显得传承不到位。

一是教学语言倾斜。部分澳门中学语文课已要求普通话授课,学生普通话思维强于粤语;若有内地转学生或内地教材比重高,校园正式场合粤语空间会被压缩。 但另一些学校日常交流仍以粤语为主,只在朗读、发言或与普通话教师沟通时切普通话。 也就是说,不是全澳统一“不会粤语”,而是部分学校、部分家庭、部分年级出现能力分化。

二是家庭语言转移。过去澳门家庭以粤语育儿,现在家长考虑升学、赴内地读书、职场竞争,会更早让孩子用普通话或英语;若父母一方是新移民、或请内地背景补习老师,孩子日常粤语输入自然减少。研究显示澳门家庭仍以粤语为主要认同语言,但普通话、英语因学业职场被优先安排,儿童多语能力虽强,粤语使用场景却被稀释。

三是师资与人口结构。澳门高校外地生多,2022/23学年高校近3.1万学生中约1.89万来自外地;中小学部分专科从内地聘师,若其不熟粤语,课堂便转向普通话。 这对教学效率未必差,但学生课后若不再用粤语买餸、搭车、跟祖辈聊天,口头语感就只剩课堂书面体。

四是文化课“轻本土”。粤语不只是沟通工具,承载粤剧、俗语、讲古、节庆、饮食地名。教青局与文化局思路是:语言本身未必列非遗,但粤剧已入非遗,歌谣、谜语、民间故事等口头传统可普查记录; 社区方面,街总祐汉等机构已开“生活篇、节庆篇、资源篇”广东话小组,教新来澳者银行、乘车、求医、面试。 这类资源若只给成人、不给中小学生系统进校,年轻人就只把粤语当“阿公阿婆话”,不当自己话。

要补传承,不必回到“粤语排斥普通话”的旧思维,而应做功能分工:普通话对接国家、学业、职场;粤语对接家庭、社区、本土文化;英语、葡语按学校定位补充。具体可抓四件事。

第一,学校开“粤语文化与口头表达”校本课,不替代语文,不考试压死人。内容放粤谚、澳门地名故事、粤剧选段、用粤语读古诗体会入声韵;语文课讲诗词、文言可粤普对照,让学生明白书面语与口语转换,而不是把“嘅、咗”当错字一刀切。

第二,保住校园非正式粤语空间。课间、班会、学长制、社团用粤语无妨;新来澳学生开粤语融入班,本地生也参加,避免“会粤语的少数化”。大学已有粤语班可下沉中学,例如澳大、科大面向新生开粤语工作坊的做法,可转成中小学同伴计划。

第三,家庭做最低限度:每天固定时段粤语聊天,周末去街市、茶楼、庙会、粤剧社用粤语。语言不是靠背词表,靠生活场景。政府可学社区中心模式,在学校周边搞亲子粤语故事会、节庆任务制。

第四,政策把“粤语能力”纳入本土文化指标,而不只测普通话水平。教青局可鼓励学校报粤语活动时长、粤语戏剧参赛、口头传统采集;文化局继续把粤语相关歌谣、谜语、民间故事按非遗程序记录, 让传承有数据、有项目、有经费。

澳门的优势本来是“多语不打架”:中、葡、英、粤各管一段。若因为推普通话而让下一代不会用粤语叫一声“早晨、食咗饭未”,损失的不只是方言,而是澳门最日常的那层人情。推广国通语是责任,留住粤语是本土文化责任,两者并行,才叫传承到位。

澳門好多學生只會普通話唔識廣東話,粵語傳承非常唔掂

澳門好多學生「聽得明普通話、寫到規範中文,但係講起粵語就未必咁順」,呢個已經唔係個別家長嘅投訴,而係語言教育入面一個值得正視嘅警號。推廣國家通用語言當然重要,但如果你為咗「講好普通話」而變成「少講甚至唔講粵語」,咁本土語言嘅代際傳承就會出現斷層。

從社會層面嚟睇,粵語喺澳門依然係最常用嘅口頭語之一。2021年人口普查顯示,大約八成居民能夠講流利粵語,但比起2011年已經跌咗2.3個百分點;同一時間,識講普通話嘅比例就大幅上升。學校層面更加複雜:教青局講明咗冇強制學校要用普通話教中文,學校可以根據師資同條件自己揀教學語文,課程都要求學生要講得流利、得體咁用粵語,仲要正確使用繁體字。但現實係,部分學校嘅語文科已經轉用普通話,部分科目因為請咗內地教師或者師資短缺而轉用普通話;有學術綜述就指出,雖然中文媒介嘅學生大多數仲係用粵語上堂,但政府語言政策要求「逐步創造用普通話教中文嘅條件」,中學階段普通話能力明顯提升,小學階段嘅升幅就相對細。

問題唔在於「學普通話」,而係「淨係學普通話、唔用粵語」。幾股力加埋一齊,先至搞到傳承咁不到位。

第一係教學語言傾斜。部分澳門中學嘅語文課已經要求用普通話上堂,搞到學生嘅普通話思維強過粵語;如果有內地轉學生或者內地教材比重高,校園正式場合嘅粵語空間就會被壓縮。但另一啲學校日常交流依然以粵語為主,只係喺朗讀、發言或者同普通話教師溝通時先轉普通話。即係話,唔係全澳門統一「唔識講粵語」,而係部分學校、部分家庭、部分年級出現能力分化。

第二係家庭語言轉移。以前澳門家庭多數用粵語湊仔,而家啲家長考慮升學、去內地讀書、職場競爭,就會更早讓小朋友用普通話或者英文;如果父母其中一方係新移民,或者請咗內地背景嘅補習老師,小朋友日常接觸粵語嘅機會自然就少咗。研究顯示澳門家庭依然以粵語為主要認同語言,但普通話、英文因為學業同職場被優先安排,兒童多語能力雖然強,粵語使用場景就被稀釋咗。

第三係師資同人口結構。澳門高校好多外地生,2022/23學年高校近3.1萬學生入面有大約1.89萬嚟自外地;中小學部分專科從內地請老師,如果佢哋唔熟粵語,堂上就轉晒用普通話。呢個對教學效率未必差,但如果學生放學之後唔再用粵語買餸、搭車、同阿爺阿嫲傾偈,口語語感就只會剩低課堂嗰種書面體。

第四係文化課「輕本土」。粵語唔單止係溝通工具,仲承載住粵劇、俗語、講古、節慶、飲食地名。教青局同文化局嘅思路係:語言本身未必列為非遺,但粵劇已經入咗非遺,歌謠、謎語、民間故事等口頭傳統可以普查記錄;社區方面,好似街總祐漢等機構已經開咗「生活篇、節慶篇、資源篇」廣東話小組,教新來澳人士去銀行、搭車、求醫、面試。呢類資源如果只係畀成人、唔畀中小學生系統入校,後生一輩就只會當粵語係「阿公阿婆嘅話」,唔當係自己嘅話。

要補返呢個傳承缺口,唔使走回頭路搞「粵語排斥普通話」嗰套舊思維,而應該做功能分工:普通話對接國家、學業、職場;粵語對接家庭、社區、本土文化;英文、葡文就按學校定位補充。具體可以捉實四樣嘢。

第一,學校開設「粵語文化與口頭表達」校本課程,唔取代語文科,唔好用考試壓死人。內容放啲粵語俗語、澳門地名故事、粵劇選段、用粵語讀古詩體會入聲韻;語文課講詩詞、文言可以粵普對照,讓學生明確書面語同口語嘅轉換,而唔係將「嘅、咗」當錯別字一刀切。

第二,保住校園非正式嘅粵語空間。小息、班會、學長制、社團用粵語無妨;新來澳學生開粵語融入班,本地生都參加,避免「識講粵語嘅變成少數」。大學已經有粵語班可以下沉中學,好似澳大、科大面向新生開粵語工作坊嘅做法,可以轉做中小學同伴計劃。

第三,家庭做最低限度:每日固定時段用粵語傾偈,週末去街市、茶樓、廟會、粵劇社用粵語。語言唔係靠背單字表,係靠生活場景。政府可以學社區中心模式,喺學校周邊搞親子粵語故事會、節慶任務制。

第四,政策將「粵語能力」納入本土文化指標,而唔係淨係測普通話水平。教青局可以鼓勵學校報粵語活動時數、粵語戲劇參賽、口頭傳統採集;文化局繼續將粵語相關歌謠、謎語、民間故事按非遺程序記錄,讓傳承有數據、有項目、有經費。

澳門嘅優勢本來就係「多語唔打架」:中、葡、英、粵各管一段。如果因為推廣普通話而讓下一代唔識用粵語叫一聲「早晨、食咗飯未」,損失嘅唔只係方言,而係澳門最日常嗰層人情味。推廣國通語係責任,留住粵語係本土文化責任,兩者並行,先至叫傳承到位。

 

Muitos estudantes de Macau sabem falar mandarim mas não cantonês? A transmissão da língua cantonesa está a ser mal feita

Muitos estudantes em Macau "compreendem mandarim, escrevem chinês normativo, mas não falam cantonês com tanta fluência". Isto já não é apenas uma queixa de alguns pais, mas um sinal de alerta que deve ser encarado a sério na educação linguística. Promover a língua comum nacional é, naturalmente, importante, mas se, para "falar bem mandarim", se passar a "falar pouco ou até nada cantonês", ocorrerá uma rutura na transmissão intergeracional da língua local.

A nível social, o cantonês continua a ser uma das línguas orais mais usadas em Macau. Os Censos de 2021 mostram que cerca de 80% dos residentes falam cantonês fluentemente, mas isto representa uma queda de 2,3 pontos percentuais em relação a 2011; ao mesmo tempo, a proporção de pessoas que falam mandarim aumentou significativamente. A nível escolar, a situação é ainda mais complexa: a Direção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) esclarece que não obriga as escolas a usar o mandarim para ensinar chinês, permitindo que as escolas escolham a língua de ensino com base no corpo docente e nas condições; o currículo também exige que os alunos usem o cantonês de forma fluente e adequada, além de usarem corretamente os caracteres tradicionais. Mas, na realidade, algumas escolas já mudaram a disciplina de língua chinesa para o mandarim, e algumas disciplinas mudaram para mandarim devido à contratação de professores do Interior da China ou à escassez de professores; sínteses académicas indicam que, embora a maioria dos alunos de meio chinês ainda tenha aulas em cantonês, a política linguística do governo exige "a criação gradual de condições para ensinar chinês em mandarim". As capacidades em mandarim melhoram significativamente no ensino secundário, enquanto no ensino primário o aumento é relativamente menor.

O problema não está em "aprender mandarim", mas sim em "apenas aprender mandarim e não usar cantonês". Várias forças combinadas fazem com que a transmissão pareça inadequada.

Em primeiro lugar, a inclinação da língua de ensino. Algumas escolas secundárias de Macau já exigem que as aulas de língua chinesa sejam dadas em mandarim, fazendo com que o pensamento em mandarim dos alunos seja mais forte do que o cantonês; se houver estudantes transferidos do Interior ou um peso elevado de manuais do Interior, o espaço para o cantonês em ocasiões formais na escola será comprimido. Mas noutras escolas, a comunicação diária continua a ser principalmente em cantonês, mudando apenas para mandarim na leitura em voz alta, intervenções ou ao comunicar com professores de mandarim. Ou seja, não é que em Macau inteira "ninguém fale cantonês", mas sim que há uma diferenciação de capacidades em algumas escolas, famílias e anos de escolaridade.

Em segundo lugar, a mudança linguística familiar. Antigamente, as famílias de Macau educavam os filhos maioritariamente em cantonês. Agora, os pais, considerando o progresso escolar, estudar no Interior e a competitividade no mercado de trabalho, fazem com que as crianças usem mandarim ou inglês mais cedo; se um dos pais for um novo imigrante ou se contratarem um professor particular com origem no Interior, as oportunidades diárias das crianças de contactarem com o cantonês diminuem naturalmente. Estudos mostram que as famílias de Macau continuam a ver o cantonês como a principal língua de identidade, mas o mandarim e o inglês são priorizados devido aos estudos e carreira. Embora as crianças tenham fortes capacidades multilinguais, os cenários de uso do cantonês são diluídos.

Em terceiro lugar, o corpo docente e a estrutura populacional. Macau tem muitos estudantes não locais no ensino superior; no ano letivo de 2022/23, dos quase 31.000 estudantes do ensino superior, cerca de 18.900 vieram de fora. Algumas disciplinas no ensino básico e secundário contratam professores do Interior, e se estes não dominarem o cantonês, as aulas passam a ser em mandarim. Isto não é necessariamente mau para a eficiência do ensino, mas se os alunos não voltarem a usar o cantonês para comprar ingredientes, apanhar transportes públicos ou conversar com os avós depois das aulas, o sentido da língua oral ficará reduzido a uma versão escrita em sala de aula.

Em quarto lugar, as aulas de cultura "negligenciam o que é local". O cantonês não é apenas uma ferramenta de comunicação, mas carrega consigo a ópera cantonesa, provérbios, contos tradicionais, festividades, gastronomia e nomes de lugares. A abordagem da DSEJ e do Instituto Cultural é: a língua em si pode não ser listada como património imaterial, mas a ópera cantonesa já entrou; canções populares, adivinhas e histórias orais podem ser investigadas e registadas. A nível comunitário, instituições como a União Geral das Associações dos Moradores de Macau (zona de Iao Hon) já abriram grupos de cantonês com "módulos de vida, festividades e recursos", ensinando recém-chegados a lidar com bancos, transportes, consultas médicas e entrevistas de emprego. Se estes recursos forem apenas para adultos e não entrarem sistematicamente nas escolas básicas e secundárias, a geração mais jovem acabará por ver o cantonês apenas como "a língua dos avós", e não como a sua própria língua.

Para compensar esta falha na transmissão, não é preciso regressar a velhas mentalidades de "cantonês a rejeitar o mandarim", mas sim fazer uma divisão funcional: o mandarim liga-se à nação, aos estudos e à carreira; o cantonês liga-se à família, à comunidade e à cultura local; o inglês e o português complementam conforme a orientação da escola. Especificamente, podem ser tomadas quatro medidas.

Primeiro, as escolas devem abrir um currículo escolar local de "Cultura Cantonesa e Expressão Oral". Isto não substitui a disciplina de língua chinesa e não deve ser sufocante com exames. O conteúdo deve incluir provérbios cantoneses, histórias de nomes de lugares de Macau, excertos de ópera cantonesa e ler poemas antigos em cantonês para sentir os tons de entrada. Nas aulas de língua chinesa, ao explicar poemas e textos clássicos, pode haver comparação cantonês-mandarim, permitindo que os alunos compreendam a conversão entre a língua escrita e a oral, em vez de tratar palavras como "嘅 (ge)" e "咗 (zo)" como erros ortográficos de forma cega.

Segundo, preservar o espaço informal para o cantonês na escola. Intervalos, reuniões de turma, sistema de mentoria de alunos mais velhos e clubes podem usar o cantonês sem problema; devem ser criadas turmas de integração em cantonês para alunos recém-chegados, com a participação de alunos locais, evitando que "os que falam cantonês se tornem uma minoria". Já existem aulas de cantonês nas universidades que podem ser alargadas ao ensino secundário, tal como as oficinas de cantonês para caloiros da Universidade de Macau e da Universidade de Ciência e Tecnologia, que podem ser transformadas em programas de pares para o ensino básico e secundário.

Terceiro, as famílias devem fazer o mínimo: conversar em cantonês em horários fixos todos os dias, ir ao mercado, casa de chá, templos e grupos de ópera cantonesa aos fins de semana para usar o cantonês. A língua não se aprende decorando listas de palavras, mas sim através de situações reais de vida. O governo pode aprender com o modelo dos centros comunitários e organizar sessões de contos em cantonês para pais e filhos, ou tarefas festivas nas redondezas das escolas.

Quarto, as políticas devem incluir a "capacidade em cantonês" como um indicador cultural local, em vez de medirem apenas o nível de mandarim. A DSEJ pode incentivar as escolas a reportarem as horas de atividades em cantonês, participação em peças de teatro em cantonês e recolha de tradições orais; o Instituto Cultural deve continuar a registar canções, adivinhas e histórias populares relacionadas com o cantonês de acordo com os procedimentos de património imaterial, dando à transmissão dados, projetos e financiamento.

A vantagem de Macau sempre foi "línguas múltiplas a não entrarem em conflito": chinês, português, inglês e cantonês gerem cada um a sua parte. Se, por causa da promoção do mandarim, a próxima geração não souber usar o cantonês para dizer "Bom dia, já almoçaste?" (早晨,食咗飯未), a perda não será apenas de um dialecto, mas da camada mais quotidiana de calor humano de Macau. Promover a língua comum nacional é uma responsabilidade, e preservar o cantonês é uma responsabilidade cultural local. Só com a execução paralela de ambas é que se pode dizer que a transmissão está a ser feita corretamente.


本文来源:蓝粤网,发布时间:2026-09-17,本站乃公益性发布

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